Cinturão de Saúde da Zona Oeste

Cinturão de Saúde da Zona Oeste

Três unidades para virar o jogo da assistência no território mais populoso do Rio

A Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde estão bairros como Campo Grande (352.356 habitantes), Santa Cruz (249.130) e Bangu (209.302), concentra uma das maiores demandas reprimidas por serviços de saúde em todo o país. São milhares de moradores que enfrentam filas extensas, diagnósticos tardios e deslocamentos longos em busca de atendimento. Mas esse cenário começa a mudar com a criação do Cinturão de Saúde da Zona Oeste — um conjunto de três equipamentos públicos que promete reorganizar a assistência no território: o Instituto Estadual dos Olhos (IEO), o Rio Imagem Zona Oeste e o futuro Hospital Estadual do Câncer.

1. Instituto Estadual dos Olhos (IEO): já em operação

Inaugurado em 7 de abril de 2025, no bairro de Senador Vasconcelos (Campo Grande), o IEO é o primeiro pilar do Cinturão de Saúde. Em apenas um mês de funcionamento, a unidade realizou mais de 22 mil exames e procedimentos oftalmológicos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde.

  • Capacidade mensal: mais de 1.000 consultas e 400 cirurgias
  • Procedimentos realizados: catarata, pterígio, glaucoma, retinopatia diabética, entre outros
  • Impacto direto: redução de deslocamentos para o Centro e Zona Sul, triagem mais ágil para casos graves e atendimento humanizado próximo de casa

A criação do IEO representa um avanço na regionalização da saúde, oferecendo uma linha de cuidado oftalmológica completa e especializada para a população da Zona Oeste.

2. Rio Imagem Zona Oeste: centro de diagnóstico chega até o fim de 2025

O segundo equipamento do Cinturão será o Rio Imagem Zona Oeste, confirmado pelo governo estadual para inauguração até o fim de 2025. A unidade será um centro de diagnóstico por imagem de média e alta complexidade, com exames como ressonância magnética, tomografia computadorizada, mamografia, ultrassonografia e outros.

  • Benchmark da rede: o Rio Imagem Baixada, referência estadual, realizou 1,7 milhão de exames em dois anos e ampliou sua capacidade com nova ressonância
  • Expectativa de impacto: redução consistente no tempo de espera por exames, como já observado em outros territórios da capital

Estudos municipais mostram que a expansão da oferta diagnóstica tem efeito direto na fila do SISREG. O Super Centro Carioca de Saúde, por exemplo, reduziu o tempo médio de espera de 160 dias (2020) para 75 dias (2024), com quedas ainda mais expressivas para exames. Embora seja um equipamento municipal, o padrão de impacto é comparável e reforça a importância da chegada do Rio Imagem à Zona Oeste.

3. Hospital Estadual do Câncer: o próximo passo

O terceiro pilar do Cinturão será o Hospital Estadual do Câncer, cuja implantação está alinhada às diretrizes da Secretaria de Estado de Saúde para a estruturação de polos oncológicos regionais. A necessidade é urgente: o INCA projeta cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil (2023–2025), com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste — onde está o Rio de Janeiro.

  • Tumores mais incidentes: mama, próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero
  • Impacto esperado: encurtamento dos prazos entre diagnóstico e início do tratamento, com atendimento integral (cirurgia, quimioterapia, radioterapia e cuidados paliativos)
  • Mobilização política e social: frentes parlamentares e movimentos locais vêm pressionando pela priorização orçamentária e técnica do projeto

A criação do hospital representa um salto na capacidade de tratamento oncológico da Zona Oeste, com potencial para salvar vidas e reduzir desigualdades no acesso à saúde.

Quais problemas o Cinturão de Saúde ajuda a resolver?

a) Filas e diagnósticos tardios

  • Diagnóstico por imagem mais perto e mais rápido: com o Rio Imagem, exames como ressonância e tomografia serão realizados na própria Zona Oeste, antecipando o tratamento de câncer e doenças crônicas.
  • Triagem oftalmológica resolutiva: o IEO já mostrou alto volume de atendimento, desatolando filas de catarata e casos urgentes de glaucoma e retina.

b) Deslocamentos longos e custos indiretos

  • Menos horas perdidas no trânsito: moradores de Campo Grande, Santa Cruz, Bangu e Jacarepaguá deixarão de cruzar a cidade para exames e cirurgias.
  • Menos gastos com transporte e faltas ao trabalho: ganhos indiretos que impactam diretamente na dignidade e qualidade de vida das famílias.

c) Atendimento humanizado e integral

  • Especialização próxima de casa: o IEO oferece cuidado oftalmológico completo; o Rio Imagem fecha diagnósticos com exames de alta complexidade; e o Hospital do Câncer tratará pacientes com acolhimento e suporte integrado à rede estadual.
  • Rota assistencial clara: do sintoma ao diagnóstico e ao tratamento, sem peregrinação por diferentes unidades.

d) Redução de custos para o sistema

  • Economia de escala: redes como o Rio Imagem otimizam o uso de equipamentos caros e ganham produtividade com agendas cheias e logística centralizada.
  • Exemplo concreto: o Rio Imagem Baixada realizou 1,7 milhão de exames em dois anos, liberando recursos para terapias e leitos.

O que muda para o paciente?

  • Marcar e fazer exame mais rápido → maior chance de tratar antes, especialmente em casos de câncer
  • Menos viagens → menos gasto com passagem, menos faltas no trabalho e menos exaustão para famílias
  • Atendimento especializado → IEO para visão, Rio Imagem para diagnóstico, Hospital do Câncer para tratamento completo e acolhimento

“A Zona Oeste está deixando de ser esquecida. Com planejamento, investimento e escuta da população, estamos construindo um novo capítulo para milhares de famílias que merecem dignidade e cuidado.” — Deputado Jorge Felippe

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